Músico, ativista social, defensor da paz e da liberdade, autor de música de combate contra as injustiças do mundo, Dog Murras é também, e pode dizer-se acima de tudo, um músico de Angola. Dog Murras se destaca por fazer de Angola sua bandeira, não de uma perspectiva política ou partidária, mas de uma perspectiva cultural, e até mesmo psicológica e mental. Como ele refere em sua apresentação, em seu site e em seus outros materiais:

“Sou Norte, Sou Sul, Sou Bailundo, Kwanyhama com Garra de Bakongo, Puramente do Reino do Congo, eu Sou de Cabinda ao Cunene.”

Se apresentar como “de mametto_ile-aye_foto-saulo-brandao (2)Cabinda ao Cunene”, as províncias mais a norte e mais a sul de Angola, seria como um artista brasileiro que se apresentasse como “brasileiro do Amapá ao Rio Grande do Sul”. Dog Murras defende que num país com tantas etnias diferentes (Bakongo, Ovimbundu, Chokwe, Ganguela, Khoisan, etc), com costumes e tradições diversos e até com línguas locais diferentes (só o português é comum a todo o país), afirmar a unidade do país é muito importante. Murras refere que a divisão entre os angolanos é uma herança do período colonial, em que os portugueses utilizaram o apoio de algumas etnias para dominar as restantes, numa perspectiva de “dividir para reinar”.

Dog Murras vende a angolanidade e afirma isso com orgulho e sem medo. Atualmente, continua disponibilizando em seu site camisetas com as cores da bandeira de Angola e outros símbolos nacionais. Sua determinação em defender seu país é tão forte que Dog, numa entrevista, deixou críticas aos sistemas de alfândega de seu país, contando as dificuldades que sentiu enquanto empresário para trazer seus materiais de fora. Enquanto artista, empresário e cidadão, poucos serão tão orgulhosos e determinados em defender o seu país, a sua cultura e a sua gente como Dog Murras.