Dog Murras sempre afirma a “angolanidade” de sua música e de seu trabalho em geral, inclusive em suas outras atividades empresariais. O orgulho em Angola e em ser angolano, a determinação em criar um país melhor, mais unido, com mais fraternidade, e também mais desenvolvido, sempre sem esquecer as raízes históricas e culturais, são “bandeiras” que têm acompanhado Dog Murras ao longo de sua carreira.

Assim, é natural que Murras reconheça a importância dos músicos mais velhos, que vieram antes dele, dos “kotas”, palavra que, na língua tradicional angolana kimbundu, significa “mais velhos” ou “um dos mais velhos”, e é utilizada em sinal de respeito e deferência.

Para Dog Murras, os seus “kotas” na música são nomes como Bonga, Waldemar Bastos, Eduardo Paím, Ruca Van Dúnem, Don Caetano ou Teta Lando. Confira alguns:

Bonga

José Barceló de Carvalho, nascido em 1943, foi um dos criadores da moderna kizomba. Se tornou muito conhecido ao nível internacional, principalmente em França e em Portugal, ao longo dos anos 80. Suas músicas falam do amor e do desejo de paz, um desejo que foi por muitos anos adiado, numa Angola que sofreu a guerra civil desde a independência até 2002.

Waldemar Bastos

Nascido em 1974, Waldemar Bastos foi um dos principais nomes da música angolana após a independência do país em relação a Portugal, que aconteceu em 1975. Se assumindo como um dos grandes artistas da lusofonia, Waldemar Bastos combinou o chamado “afro pop” com influências musicais do Brasil e de Portugal.

Eduardo Paí0,43d8be9e-f1d6-47d4-ad49-138e54b5862e--r--NjQweDM0NQ==m

O respeito de Dog Murras pelo
“kota” Eduardo Paím não é apenas pela música e pela influência cultural, mas também pela influência direta que Paím teve no lançamento de sua carreira. Ele foi outro dos grandes dinamizadores da kizomba, obtendo grande sucesso também em Portugal no início dos anos 90. “Luanda, Minha Banda” (1991) e “Do Kayaya” (1992) estão entre seus maiores sucessos; alguns críticos apontam que “Luanda, Minha Banda” (ou pelo menos algumas de suas músicas) também abriram caminho ao kuduro moderno.